Usa protetor solar todos os dias? Ótimo. Mas será que o está a utilizar corretamente?

A aplicação diária de protetor solar é um dos hábitos mais importantes para prevenir os danos provocados pela radiação solar, incluindo o fotoenvelhecimento, as alterações da pigmentação e o cancro da pele.

No entanto, aplicar protetor solar não é suficiente. A forma como o utilizamos pode fazer toda a diferença na proteção que realmente conseguimos obter.

Aplicar pouco produto, esquecer determinadas zonas ou continuar a usar aquele protetor que passou vários verões dentro do saco da praia são alguns dos erros que podem comprometer a sua eficácia.

Conheça 7 dos erros mais frequentes na utilização do protetor solar – e veja se reconhece algum deles na sua rotina.

1. Aplicar uma quantidade insuficiente

Provavelmente, este é o erro mais comum.

Na verdade, tendemos a espalhar uma pequena quantidade de produto até sentirmos que “chega”, mas isso pode significar que estamos a utilizar apenas uma fração da quantidade necessária para obter a proteção indicada na embalagem.

Para a face e pescoço, a quantidade de referência é aproximadamente 5 ml de protetor solar, o equivalente a uma colher de chá.

E há um detalhe importante: o FPS indicado no produto é determinado através de testes realizados com uma determinada quantidade de protetor. Quando aplicamos significativamente menos, não podemos assumir que estamos a obter o mesmo nível de proteção. A Organização Mundial da Saúde alerta, precisamente, que muitas pessoas não aplicam protetor solar em quantidade suficiente para obter a proteção indicada.

Por isso, neste caso, ser demasiado poupado não é propriamente uma vantagem.

2. Aplicar de manhã e esquecer o protetor durante o resto do dia

Colocar protetor solar antes de sair de casa é um excelente começo. Mas, quando existe exposição solar, uma única aplicação pode não ser suficiente para o dia inteiro.

Posto isto, a recomendação é reaplicar o protetor aproximadamente a cada duas horas durante a exposição solar e sempre depois de tomar banho, transpirar intensamente ou secar a pele com uma toalha.

E sim, sabemos que reaplicar protetor solar ao longo do dia nem sempre é prático – sobretudo quando existe maquilhagem.

Atualmente existem diferentes formatos, como sticks e sprays, que podem tornar a reaplicação mais simples e ajudar a incorporar este hábito na rotina.

O melhor protetor solar é também aquele que conseguimos realmente usar – e reaplicar.

3. Esquecer as zonas menos óbvias

Face protegida? Sim. Braços e pernas? Também.

E as orelhas?

Existem várias zonas que passam frequentemente despercebidas quando aplicamos protetor solar. Entre as mais esquecidas encontram-se:

  • lábios;
  • orelhas;
  • pálpebras;
  • pescoço;
  • dorso das mãos;
  • dorso dos pés;
  • couro cabeludo, sobretudo em pessoas com cabelo fino ou calvície.

São áreas expostas à radiação solar e algumas delas acumulam uma exposição significativa ao longo da vida.

Por isso, uma boa estratégia é criar uma pequena “checklist mental” quando aplica o protetor. Antes de terminar, pense: ficou alguma zona exposta sem proteção?

4. Não remover corretamente o protetor solar ao final do dia

Usar protetor solar é importante. No entanto, retirá-lo corretamente também.

Muitas fórmulas são desenvolvidas precisamente para terem uma boa aderência à pele e resistirem à transpiração e à água. Essa resistência, tão útil durante o dia, significa que ao chegar a casa devemos fazer uma limpeza adequada.

Além disso, ao longo do dia, acumulam-se na superfície da pele oleosidade, suor e outras impurezas.

Por isso, ao final do dia, uma limpeza adequada ao tipo de pele e aos produtos utilizados ajuda a remover esses resíduos e deixa a pele preparada para os cuidados seguintes.

Fotoproteção e limpeza fazem parte da mesma rotina de cuidado.

Para saber como integrar corretamente a limpeza, hidratação e proteção na rotina diária, leia também: 3 pilares para construir uma rotina de skincare que funciona

5. Usar aquele protetor solar que já não sabe há quanto tempo está aberto

Encontrou no armário um protetor solar do verão passado. Ainda tem produto, parece estar bom e seria uma pena deitá-lo fora. Pode utilizá-lo? Antes de decidir, há um pequeno símbolo na embalagem que vale a pena consultar.

Depois de aberto, um produto cosmético tem um período durante o qual mantém as condições previstas de utilização. Na embalagem poderá encontrar o símbolo de um pequeno boião aberto, acompanhado por indicações como “6M”, “12M” ou “24M”.

Esse número corresponde ao número de meses durante os quais o produto deve ser utilizado depois de aberto.

Além disso, esteja atento a alterações de cor, cheiro ou textura. Um protetor solar alterado pode já não apresentar as características que tinha originalmente.

Na dúvida, não arrisque a proteção da sua pele para aproveitar o resto da embalagem.

6. Deixar o protetor solar a “cozinhar” dentro do carro

Este é um erro especialmente fácil de cometer no verão.

Deixar o protetor solar dentro do automóvel durante horas ou manter o saco da praia permanentemente exposto ao sol pode sujeitar o produto a temperaturas muito elevadas.

E dentro de um carro fechado ao sol, a temperatura pode atingir valores na ordem dos 60 a 70 °C.

O calor excessivo pode afetar a estabilidade da fórmula e acelerar a degradação dos seus componentes, comprometendo as características do produto.

Sempre que possível, mantenha o protetor solar num local fresco e protegido da luz solar direta.

Na praia, por exemplo, não deixe a embalagem abandonada ao sol enquanto dá um mergulho. Colocá-la dentro do saco e manter o saco à sombra já é um hábito simples que pode fazer diferença.

7. Escolher um protetor solar que não gosta de usar

Pode ter comprado um excelente protetor solar. Mas se deixa a pele demasiado oleosa, seca, pesada ou desconfortável, há uma grande probabilidade de começar a usá-lo cada vez menos.

E aí temos um problema.

A escolha da textura deve ter em consideração as características e necessidades da pele.

Se ainda tem dúvidas sobre como escolher o protetor solar mais adequado, consulte também o nosso guia para escolher e aplicar corretamente o protetor solar: Seja um Farmacêutico na hora de escolher e aplicar o protetor solar

Uma pele oleosa ou com tendência acneica, por exemplo, poderá beneficiar de fórmulas oil-free e não comedogénicas. Já uma pele seca poderá sentir-se mais confortável com texturas que ofereçam maior hidratação.

No caso do melasma e de outras alterações da pigmentação, existem ainda características específicas a considerar na escolha do protetor solar. Saiba como escolher um fotoprotetor mais adequado à hiperpigmentação no artigo Como seria um protetor solar 100% à prova de melasma e dos outros distúrbios de hiperpigmentação?

Existem atualmente inúmeras formulações: fluidos, cremes, géis, sticks, produtos com ou sem cor e diferentes acabamentos.

Encontrar uma textura de que gostamos não é apenas uma questão de preferência cosmética. Pode aumentar a probabilidade de utilizarmos a quantidade adequada e mantermos o hábito diariamente.

Pequenos erros, uma grande diferença na proteção da pele

Quando escolhemos um protetor solar, é natural prestarmos atenção ao fator de proteção, aos filtros, à textura ou às características da fórmula.

Mas existe outra parte igualmente importante: a forma como o utilizamos.

Podemos ter um excelente produto e, ainda assim, comprometer a proteção se aplicarmos uma quantidade insuficiente, não reaplicarmos quando necessário, esquecermos determinadas zonas ou não conservarmos corretamente a embalagem.

A boa notícia é que estes são hábitos relativamente fáceis de corrigir.

Na próxima vez que aplicar o seu protetor solar, lembre-se: não basta escolher bem. É preciso usar bem.

E se quiser compreender melhor como os diferentes tipos de radiação solar afetam a pele, explicamos as diferenças entre UVA, UVB, luz visível e infravermelhos no artigo Radiação UVA, UVB, Luz Visível e IV: tudo sobre como estes tipos de radiação afetam a pele. O artigo aprofunda precisamente os efeitos das diferentes radiações sobre a pele.

E são precisamente estes pequenos gestos, repetidos todos os dias, que ajudam a proteger a pele dos efeitos cumulativos da exposição solar ao longo da vida.

Dr.ª Sónia Esteves

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