O tabu do Botox… ou então não!

Hoje decidi escrever sobre um assunto algo polémico. Sei que o tipo de intervenções estéticas que realizo são muitas vezes alvo de algum “secretismo”. Se por um lado entendo e acima de tudo respeito porque é que isto acontece, não consigo deixar de questionar: porquê esta necessidade? Será que existe bullying disfarçado de outra coisa qualquer no mundo da estética?

Desde que me lembro sempre tive um enorme interesse pela temática da estética, em particular pela estética facial. Este fascínio levou-me a querer ir mais além e tornar-me uma profissional na área.

Todo o ser humano assim que nasce começa a sua “private countdown” para o envelhecimento. É duro, mas também verdade. É inevitável. Já todos percebemos que não existe o elixir da eterna juventude, certo?! E se constatamos que estamos a envelhecer devemos também reconhecer este privilégio extraordinário, pois significa que o nosso tempo tão fugaz neste plano ainda não terminou.

Acredito que todos nós temos o direito de escolher envelhecer da melhor forma possível. Aliás, da forma que cada um escolher como sendo a mais adequada para si, de acordo com os seus parâmetros, exigências e valores. Não somos todos iguais. A diferença existe e ainda bem!

Os cuidados para envelhecer com qualidade são muitos e devem começar não quando o nosso corpo começa a dar os seus primeiros sinais de “a idade não perdoa”. Quanto mais cedo melhor. Uma alimentação cuidada, beber muita água, praticar exercício físico, controlar os níveis de stress, dormir bem, ir ao médico com regularidade, etc.

Mas muitas vezes só isto não chega. A genética também tem uma palavra a dizer e se para uns é generosa, para outros pode ser um bocadinho menos amiga.

Quando olhamo-nos ao espelho e não nos identificamos com a imagem refletida devemos ter a opção de fazer algo a respeito! O mundo da medicina e da estética evoluíram muito e oferecem inúmeras soluções para atenuar e até reverter aquilo que nos deixa mais inquietos quanto à nossa curva individual de envelhecimento! E não trata apenas de “anti-aging” mas também de “beautification”. Ou seja, tratamentos estéticos que visam acentuar a beleza individual.

Ouço muitas vezes que optar por intervenções estéticas não é natural e, por isso mesmo, não deve ser feito.

Bem, tenho novidades para quem faz alarde desta filosofia de vida: é que ser natural é muita coisa… o colesterol, os diabetes, o ácido úrico e outras maleitas indesejáveis são naturais e nem por isso são boas ou as queremos “manter” por ser um dos sinais naturais do nosso corpo a envelhecer. Ter colesterol elevado e não aceitar medicamentos para fazer o respetivo controlo seria a abordagem “natural”. Quem sofre “destes males” também vai ao médico e tenta combatê-los em prol de um processo de envelhecimento controlado e com recurso a fármacos sintéticos, ou seja, “não naturais”.

E se observarmos o maravilhoso mundo da estética e cosmética, o paradoxo é ainda mais amplo, pois a cobertura de cabelos brancos e a maquilhagem de unhas não deixam de ser processos “artificiais” e que merecem, atualmente, a aceitação universal de todos. Então porque é que um tratamento com Botox ou Ácido Hialurónico, para embelezamento e envelhecimento mais harmonioso, gera tanta polémica?

No que diz respeito à estética médica, a naturalidade com que se encaram os procedimentos realizados deveria ser rigorosamente a mesma!

Obviamente não temos de gritar para o mundo que fizemos esta ou aquela intervenção, mas também acredito que ninguém deveria sentir-se condicionado ao ponto de precisar de omitir ou até mentir para ocultar as suas rotinas estéticas.

Cada pessoa deve respeitar o seu corpo e cuidar dele da forma que entender ser a melhor para o seu bem-estar físico, mental e social, não fosse esta a definição de saúde segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Nesta questão não há o certo ou o errado.

Existem sim escolhas individuais e sejam elas quais forem merecem ser respeitadas 😉

Até breve!

Partilhar