O barato sai caro e em estética não é diferente!

A ocorrência de preenchimentos faciais e botoxs que “correram mal” é cada vez mais frequente. Para quem está a pensar realizar um procedimento com injetáveis estéticos e está a pesquisar por preço, seguramente o mais barato não vai ser o melhor. Faz sentido, certo? Para quem ainda fica confuso sobre como avaliar adequadamente o procedimento que lhe está a ser oferecido, ficam algumas dicas sobre aspetos importantes a considerar.

A criação de reputações profissionais falsas nas redes sociais e as publicidades agressivas a promoções de procedimentos estéticos injetáveis têm vindo a multiplicar o número de pacientes insatisfeitos com os resultados, pois ficam aquém dos padrões estéticos desejados e, pior ainda, também têm vindo a aumentar a incidência de complicações resultantes. Dentro das complicações ocorrem problemas de maior ou menor gravidade, que podem ir desde as infeções, reações alérgicas, lesões neurológicas, ptoses e paralisias, necrose e até a cegueira.

Importa aqui dizer que as complicações podem ocorrer mesmo nas mãos de profissionais mais competentes e com os melhores recursos. No entanto, a probabilidade de estas complicações ocorrerem, bem como a capacidade para detetar precocemente o problema e iniciar o seu tratamento, farão toda a diferença nas consequências resultantes.

Seis dicas a que deve ficar atento durante a sua consulta:

1.Pesquise sobre o injetor – tente averiguar qual a capacitação profissional da pessoa que vai executar a intervenção. Verifique se se trata de um profissional de saúde inscrito na respetiva Ordem. Dica: nos sites da OMD, OM e OE pode pesquisar os profissionais inscritos. Pergunte pela área de especialização e tente perceber o grau de experiência na área de tratamento para a qual está a consultar.

Cada vez mais surgem profissionais provenientes de áreas não médicas a intervir nesta área, como por exemplo esteticistas , terapeutas, etc. Lembre-se que estes “amadores” não têm os conhecimentos anatómicos, clínicos nem farmacológicos e não dispõem dos meios técnicos e formais para garantir a esterilidade e assépsia exigida para este nível de intervenção. Faço esta afirmação com todo o respeito por estes profissionais, que que admiro no exercício que fazem das suas artes e ofício próprio. Mas não estão capacitados a oferecer serviços médicos com qualidade e segurança. Dizer também que a maioria dos profissionais da estética repudiam este comportamento de alguns dos seus pares.

2. Confirme a origem do produto – os produtos usados para fins injetáveis estéticos têm que estar obrigatoriamente registados em uma de duas categorias: medicamento ou dispositivo médico. Em Portugal, quem certifica estes produtos em uma destas categorias é o INFARMED. Tudo o que fica fora destas categorias não está devidamente licenciado e não deve ser usado. Não aceite produtos não autorizados. Estes produtos têm requisitos próprios de transporte e armazenamento, aos quais os consultórios devem obedecer. Se acha que esta informação pode ser complicada, sugiro então que no mínimo fique atenta(o) a estes pormenores: produtos fechados na embalagem original (peça sempre para o produto ser aberto à sua frente), presença de holograma e/ou marca CE. Também pode pedir para ver o número do lote e a data de validade.

3. Exija que o produto seja aberto à sua frente – quando o produto é aberto à nossa frente estamos também a testar que o mesmo está intacto, ou seja, não foi manipulado (por exemplo, misturado com água ou soro fisiológico), minimizando, desta forma, o seu efeito, aumentando exponencialmente as probabilidades de vir a contrair uma infeção.

4. Diga NÃO à partilha do produto – nunca acredite que é “normal” utilizar um “restinho” de produto que sobrou de outro paciente e “sorte a sua” pois assim o procedimento vai sair-lhe mais em conta! O produto depois de aberto deixa de estar esterilizado e não há forma de contornar este fato. Na mesma lógica, a seringa usada nas intervenções também não pode ser partilhada.

5. Avalie as condições do consultório – localização, licenças do espaço/clínica, formas de atuar e de relacionamento, condições de higiene e desinfeção, etc. Fique atenta!

6. Preço – informe-se dos preços praticados no mercado. O preço reflete pelo menos três aspetos que têm custos associados: o produto, o espaço de atendimento e a perícia do profissional. Como disse no início do meu texto, preços low cost são bons demais para ser verdade! Um produto bom não pode ser barato, um espaço com todas as condições de esterilidade e licenciamneto tem custos de mantuenção elevados e a especialização do profissional com formação e atualização permanente exige um investimento pessoal e financeiro elevadíssimo.

Por vezes a tentação é muita, mas devemos sempre pensar em primeiro lugar na nossa saúde e na integridade do nosso corpo! O barato pode sair muito caro.

Alguma dúvida ou questão adicional, como sempre encontro-me à vossa disposição 🙂

Até breve!

Partilhar