Dentes do siso: extrair ou não?

Longe vão os tempos da extração indiscriminada de todos os dentes do siso.

Embora a extração dos dentes do siso correctamente indicada e planeada, seja geralmente um procedimento bem sucedido, não podemos ignorar a significativa taxa de complicações associada. O tempo de recuperação envolve algum desconforto que pode incluir edema e dor, mas também pode estar associada a complicações pós operatóras mais graves como a infeção e alterações da sensibilidade na face, entre outras. Daí a importância de um diagnóstico e plano de tratamento apropriado.

Afinal porque é que que dentes do siso são diferentes?

Os dentes do siso ou terceiros molares são os últimos dentes a formarem-se durante o desenvolvimento. E, talvez seja esta a explicação mais lógica para o nome pelo qual são popularmente conhecidos: dentes do juízo.

Cada um de nós pode ter até 4 dentes do siso: 2 superiores e 2 inferiores.

No entanto, em algumas pessoas não se chegam a formar os dentes do siso. As agenesias (a não formação do dente) ou a não erupção destes dentes (sisos inclusos) são cada vez mais frequentes. Quando eles não estão visíveis na arcada dentária e existem dúvidas sobre a sua formação, a realização de uma radiografia permitirá esclarecer este mistério.

Em condições ideais estes dentes nascem progressivamente sem qualquer sintomatologia ou complicação, alinhando-se com os restantes dentes na arcada dentária. Mas, na maioria das vezes, não é isto o que ocorre.

Pensa-se que os dentes do siso correspondem a estruturas vestigiais dos nossos antepassados. Naquele tempo, a dieta contendo alimentos crus exigia uma maior capacidade para triturar alimentos. Assim, um terceiro dente molar era um benefício funcional. Os maxilares também eram maiores e havia mais espaço para o posicionamento de todos os dentes. Com a introdução dos alimentos cozinhados as necessidades mastigatórias diminuiram. A evolução da face humana, com redução do espaço na arcada dentária, tende a dificultar a erupção destes molares.

E foi assim, fruto da evolução do Homem, que os dentes do siso ficaram sem espaço e quase sem função!

Extrair ou manter?

Os dentes do siso podem causar vários tipos de complicações que devem ser avaliadas para indicar a extração:

1. Cáries

Os dentes do siso são considerados dentes “difíceis”, pois devido à sua localização a sua correta higienização pode ser mais complicada, potenciando o aparecimento de cáries.

2. Doença gengival

Um dos motivos para os dentes do siso não conseguirem nascer (inclusos), terem uma erupção parcial (semi inclusos) ou ficarem numa posição errada é a falta de espaço. Estas condições propiciam a ocorrência de inúmeros sintomas, nomeadamente o inchaço (por edema ou abcesso), que pode significar uma forte inflamação dos tecidos moles circundantes.

3. Quistos

Os quistos dentários são uma espécie de saco que se forma juntos dos dentes, acumulando bactérias e células mortas. Podem formar-se em diferentes zonas, incluindo à volta das raizes de dentes inclusos. Se não forem tratados podem levar à perda de dentes ou a situações ainda mais graves.

4. Lesão sobre os dentes adjacentes, os segundos molares

Em alguns casos, os dentes do siso encravam nos segundos molares, podendo mesmo afetar e destruir estes dentes.

5. Apinhamento dentários

A pressão que os dentes do siso usam na sua erupção pode ser suficiente para movimentar os dentes que estão próximos, resultando num apinhamento dentário.

Se os dentes do siso estão inclusos, intra ósseos ou mesmo erupcionados mas a sua posição não causa qualquer dano, não existirá qualquer indicação para a sua extração.

Mas, se os mesmos prejudicam dentes adjacentes ou provocam outro tipo de danos será necessário passar à sua remoção.

De referir ainda que existem casos onde se regista alguma sintomatologia durante o processo de erupção destes dentes considerada “normal”. Desde que os sintomas desapareçam com o decorrer do tempo, a extração não é necessária.

Assim, cada caso é um caso e a decisão sobre a remoção ou não dos dentes do siso deve ser tomada depois da análise e avaliação conjuntas de uma série de fatores-chave.

Até breve!

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